segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Obra de fachada
Não sei a origem da expressão, mas que o clero espanhol ajudou a difundir as obras de fachada, ah ajudou. Esse belo prédio da foto é, na verdade, puro cenário. Por trás da cortinas nas janelas não tem ninguém, nunca. O casarão tem apenas três metros de profundidade e foi erguido, há séculos, só para combinar com o resto das edificações e fechar o quadrado que forma a praça principal de Santiago de Compostela, onde fica a famosa catedral.
Tem apenas três metros de profundidade
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Estranhezas praianas
Punta del Este, o balneário de ricaços uruguaios e argentinos, parecia cenário de filme... de suspense. Centenas de edifícios modernos, com as janelas e varandas envidraçadas brilhando, podiam ser a pista de que algo terrível acontecera... que toda a cidade fora evacuada na véspera da minha chegada. De novo, céu sem nuvens, sem vento, poucas ondas e ninguém na praia. Aí surge um senhor no calçadão, com um 'Rio de Janeiro' estampado na camiseta, e revela o mistério: "É que aqui as pessoas não sabem aproveitar esse presente de Deus... acabou o verão ninguém vem pra cá, mesmo que faça um calorão".
Mas basta mudar de lugar para ver que os estranhos somos nós. Tente explicar a um espanhol por que a gente não faz top less na praia se os biquínis já mostram quase tudo. Eles não entendem o frisson que um peito de fora pode provocar numa Ipanema lotada. Lá, tirar o sutiã é ato que não obedece a critérios estéticos: senhoras gordinhas também ficam bem à vontade. Mas a calcinha tem que ser grande, fio dental é raro na Barceloneta, por exemplo.
Não me esqueço da cara de assombro de um colombiano ao pisar na areia do Posto 10 num domingo de sol escaldante, às 14h. "Nunca vi uma praia tão lotada em toda a minha vida", disse o amigo, meio assustado, diante da paisagem banal para qualquer carioca.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Antimijões
Vitrines que escondem
Do início do século XX até 1986, se ali já estivesse espetada, essa placa seria cínica e sádica. Seria algo como um "Bem-vindos ao inferno". Afinal, o que esperava um homem ao ingressar no presídio de Punta Carretas, em Montevidéu? As salas e celas de onde ecoavam gritos de torturados deram lugar a prateleiras para onde hoje conflui, feliz, a classe média uruguaia. Saíram as algemas, entraram os cartões de crédito. Desde 1994, o edifício virou um shopping center. Do horror das grades só sobraram a fachada principal e um portal da antiga construção. E nada de placas informando o que diabos significa um arco de pedra monumental dentro do shopping. Afinal, nada de estragar o prazer consumista. O máximo que a jovem atendente do serviço ao cliente revela é que houve uma fuga cinematográfica ali. Dois cliques na Internet e descubro que foi em 1971, quando mais de 100 guerrilheiros do grupo tupamaros conseguiram a liberdade. Uma história escondida pelas vitrines.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Ivo viu a uva ou Evita te quiere

sábado, 19 de julho de 2008
Eu fui à Lua

sábado, 21 de junho de 2008
Avisos insólitos aos navegantes: fora, porcalhões
Amigos sem fronteira
domingo, 8 de junho de 2008
A matemática dos olhos verdes
- Ele chegou! - anunciou a assessora.
A secretária de Admininstração suava. O terror das prefeituras já estava na recepção. O órgão externo responsável pelo controle das contas não teve pena daquele pequeno município litorâneo e mandou seu inspetor mais rígido para virar do avesso planilhas, folha de pagamento, licitações. A secretária já sabia que nas finanças da cidade 2 + 2 nem sempre davam 4. E enxugava a gota gorda de suor que escorria pelo pescoço.
- Bom Dia. Quero ver todos os processos de licitação de janeiro a dezembro deste ano - ordenou o inspetor.
- Mas é muita papelada. O senhor não prefere conferir um mês de cada vez? - disse a secretária.
- Não. Quero tudo nessa mesa em meia hora.
Em meia hora quilos de papel começaram a entrar pela sala em um carrinho desses de transportar caixas. Eram tantos processos que nem dava para ver quem em estava atrás daquela pilha. Quando o 0001/2007 baixou na mesa deu para ver os primeiros fios de cabelo louro. Ao descarregar o 0002/2007, surgiram olhos cor de esmeralda emoldurados por cílios imensos. No 0005/2007, os peitos quase pularam do decote em cima do inspetor. Aquele baixinho barrigudo não ficaria imune a Ana Maria. Não havia funcionário que não salivasse ao vê-la desfilar na repartição.
- O senhor deseja mais alguma coisa? - perguntou a funcionária, bem de-va-ga-ri-nho, apoiando os cotovelos na mesa.
- Não - disse ele, que baixou os olhos e continuou na sua fúria investigadora.
Passou o primeiro, o segundo, o terceiro dia e nada. O cara era uma rocha. Nada o desconcentrava. Pior, notaram que quando Ana Maria entrava na sala a sanha inquisidora do inspetor aumentava. O plano de mandar a gostosa distraí-lo foi por água abaixo.
No quarto dia, Ana Maria não apareceu. Voltou para sua função. O fiscal não parava de fazer anotações e pedir xerox dos processos. Crescia a certeza de que a prefeitura seria condenada. A secretária resolveu escalar logo um advogado para acompanhá-lo. Foi decidido que Adriano seria a sombra do inspetor. Na quinta-feira, ele apareceu com a folha de pagamento de junho.
- Bom dia - saudou o advogado, um jovem alto, de cabelos negros e olhos verde-claros, realçados pela pele morena.
- Bom dia! - respondeu o inspetor, numa simpatia jamais vista.
A inspeção ainda demorou bastante. Mas tudo mudou depois daquela quinta-feira. O inspetor virou amigo da secretária. Em vez de caretas, distribuía sorrisos. Em seu relatório, concluiu que as contas do município eram transparentes, claras... como os olhos de Adriano.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
O Rei do Rio
O papo começou no Jornalismo e acabou no futebol.
- O cara ganhou uma Libertadores e o Campeonato Mundial para o Grêmio, era ídolo do Brasil todo, mas foi para o Rio e mudaram o nome dele - me dizia o gremista, chateado.
- Ele não é Renato Gaúcho! Ele é O Renato!!! - completou, indignado, e ainda não resignado, 20 anos após o craque ter se mudado para cá e ganhado o apelido que o diferenciava dos xarás da bola.
- Os outros que mudassem de nome, ele NÃO!!!
Para mim é impossível imaginar a arquibancada festejando o jogador sem aquela cadência RENAAAATO... GAÚÚÚÚÚCHO, batendo palmas com as mãos para cima. Não dá para soltar um RENAAAATO PORTALUUUUUPPI. Mas ele tá identificado assim na página oficial do Grêmio na Internet, na galeria dos heróis do clube. Só no pé da matéria admitem que ele "carregaria para o resto da carreira" o apelido famoso. Orgulhosos, os sulistas não reconhecem na alcunha uma homenagem às coisas boas do Sul. Quando ele aparece por lá, o Olímpico ainda vibra de saudade. Soltam um RENATOOOO ou simplesmente NAAAAAAAATO, que, fala sério, é fofo demais e não combina com ele.
Pois nunca se soube que o atleta se incomodasse com o novo nome. Graças a esse batismo as novas gerações sabem sua origem já que ele adotou o carioca way of life: virou craque no futevôlei, fez da praia seu quintal e, aos pouquinhos, foi transformando a marra em malandragem. O sotaque ele botou na mala e despachou para o Rio Grande do Sul faz tempo.
Tudo bem, se os riograndenses se ofendem com o Gaúcho que grudamos nele, podemos mudar isso. Agora ídolo também dos tricolores daqui e com a mão já roçando a taça da Libertadores, teremos orgulho de rebatizá-lo, definitivamente, de Renato Carioca. E fazer ecoar um ARRA, URRU, O RENATO É NOSSO!!!
P.S.: Pai, Dinho, não troquem a fechadura de casa. No fundo do meu peito continua batendo, calada, uma cruz de malta. Eu juro!!!!
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Babel espanhola
Logo que cheguei, o problema era a pronúncia. Para que fazer o CH soar como TCH se a palavra era igualzinha em português, por exemplo? Se eles entendem o meu chocolate, tá bom, pensei. Fui usar a mesma lógica para o RR. `Estava atrasada e tive que correr por todo el metro´. Também tasquei um ´Rubinho não é bom corredor´. Sem vibrar a língua no céu da boca, o meu correr e corredor soaram como coger e cogedor para eles. Se estivesse só no meio de espanhóis, menos mal, mas diante de 18 latinos... O grupo explodiu numa gargalhada feroz. Coger é transar e cogedor é garanhão na América do Sul. Tinha acabado de dizer que eu era uma versão sobre trilhos da ´Dama do Lotação´.
A pior armadilha foi um iogurte de morangos. Li lá na embalagem: con trozos de fresa. Não ia continuar usando a palavra pedazos si existia outra, mais diferente do português, mais sofisticada. Legal, desde aquela compra no supermercado meus pedaços viraram trozos. Até que um dia depois do jantar, eu e três argentinos reunidos na cozinha, virei para o meu amigo -- que é praticamente um modelo Armani -- e pedi com a maior gentileza do mundo para que ele me desse, por favor, un trozo de seu chocolate. Ele me respondeu com um sorriso sacana e um dueto de gargalhadas ao fundo. Na verdade eu pedira aquilo dele. Ai, ai.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Chamem as garças
- Vai dar até no Jornal Nacional! - emocionou-se o prefeito, já sonhando com a imagem na abertura do telejornal.
A prova de que o curso d´água outrora fedorento estava limpo era linda e singela e comoveria o editor-chefe. Estavam todos convencidos disso.
- Vamos jogar umas garças para nadar lá e aí chamamos a tevê - gritou um secretário, como quem diz eureca!
Uma alma de bom senso na mesa sugeriu primeiro um teste. Foi difícil conter os empolgados, mas, enfim, a turma cedeu. Não sem antes exigir a execução de mais um detalhe.
- Depois a gente compra uns peixes para colocar no rio também - acrescentou o gênio.
A idéia morreu na nascente do rio: a garça virou almoço de vira-lata em dois dias.
A língua capciosa
A praia estava cheia de jovens argentinas calientes também. E uma delas se encantou pelo meu amigo alto e dourado pelo sol. Ele não sabe nem contar em espanhol, mas a coisa andou, ou melhor, correu.
No segundo ato, ela começou a dar instruções. 'Espanhol é fácil, foi tranqüilo, dava para entender tudo', garantiu o moreno. Mas ele não sabia que o 'argentinês' tem uma particularidade que faria a diferença no seu esquenta. Em espanhol, a gente gruda os pronomes que substituem os objetos direto e indireto quando o verbo está no imperativo. E depois se acentua a nova palavra ainda no pedaço que compõe o verbo. Por exemplo: cuéntamelo (contar + me + lo). Mas na Argentina - e no Uruguai é igualzinho -, é bem diferente. Nossos vizinhos subvertem a gramática e fazem da última sílaba, a tônica. Cuéntamelo em 'argentinês' soa contamelô.
Pois bem, além de desconhecer essa manha dos hermanos, ele ainda escutou um ´N´ inexistente na súplica ofegante da argentina, que entrou nos seus ouvidos como chupa melóóóón!!!!.
Meu amigo só descobriu há pouco que errou o alvo em uns dois palmos para cima. Mas garante que matou a fome da portenha.
sábado, 12 de abril de 2008
Perfil grego, cara-de-pau inglesa
sábado, 5 de abril de 2008
Hansel & Gretel e o líder sindical Calamar

Para finalizar, uma listinha de alguns personagens famosíssimos de desenhos animados que periga você achar que são uns desconhecidos se escutar o nome em espanhol. Néstor, um novo amigo argentino, me ajudou a refrescar a memória (che, gracias!).
Pica-pau - Pájaro LocoIrmãos Metralha - Chicos Malos (´garotos malvados´)
Piu-piu - Piolín
Frajola - Gato Silvestre
Professor Pardal - Giro Sintornillos (algo como ´porca sem parafuso´)
Tio Patinhas - Tío Rico ou Rico MacPato na América Latina e Tío Gilito ou Gilito MacPato na Espanha
Huguinho, Zezinho e Luisinho - Hugo, Paco e Luis na América Latina e Juanito, Jorgito e Jaimito na Espanha
Gastão - Glad Consuerte na América do Sul, Narciso Bello na Espanha e Pánfilo Ganso no México
Ligeirinho - Rapidín
Conheci um chileno, do grupo dos sedentos por viagem, que sempre desfilou pelo continente seu apelido inspirado em um simpático personagem da Disney. Por conta de seu cabelo negro, comprido e desgrenhado, ganhou um novo nome: Tribilín. Carregava-o com orgulho até o dia em que eu lhe contei como chamamos esse amigo do Mickey por aqui: Pateta.
Avisos insólitos aos navegantes: manobra radical
domingo, 30 de março de 2008
Pret-à-porter sobre trilhos

domingo, 23 de março de 2008
A banca pornô
Era véspera do primeiro dia de férias e o chefe pediu para ontem uma tarefa que ela acreditava ser para dali a dois meses. Teve que trabalhar até as 23h, não havia remédio. Ih... e a encomenda importante para levar na viagem? Já estava até paga. O jeito foi pedir à vizinha para pegar o pacote para ela.
Solícita, a amiga aproveitou que o marido descera com um amigo para comprar bebida para o jantar e terceirizou a tarefa.
- O quê? Você tá me zoando?
- Não, não é piada. É isso mesmo que você ouviu. É na banca aí da esquina. O cara já está esperando ir alguém lá pegar a encomenda.
Os amigos pararam em frente à banca, minuciosamente descrita minutos antes. Era ali mesmo. O estabelecimento também se dedicava a outras mídias além da impressa, outros negócios, digamos. As paredes estavam forradas com DVDs eróticos piratas. Entre anões pervertidos, maratonistas sexuais e afins, pergunta o marido:
- Che, ficou pronta a cópia do 'Chicken Little' e do 'Corcunda de Notre Dame', da Disney? É para aquela moça do 200 que sempre compra desenhos animados aqui.
O jornaleiro olhou para o amigo do cara, sério e vestido de terno e gravata, e despachou logo a dupla enxugando uma gorda gota de suor que escorria pelo pescoço.
- A gente não faz isso aqui, não.
Chicken Little e o Corcunda já não estavam mais ali há algumas horas. Foram fazer companhia a astros pornôs nacionais no porta-malas de um policial das redondezas.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Caribe gaúcho

Já vai tarde o verão que acaba de dar adeus. Aqui no Rio tomamos mais banho de chuva que de mar e até vestimos casaco para enfrentar 16,6 graus há uns dois meses. Eu esperava muito da estação. Voltara de umas férias frustradas no Caribe, em novembro, e queria revanche debaixo do sol carioca.
Antes de aterrissar nas areias da minha cidade, parei três dias em Porto Alegre. A idéia era bater papo com amigos, conhecer melhor a capital do Rio Grande do Sul, sair para dançar. A minha fúria veranista estava guardada para a Cidade Maravilhosa. Mas fui levada para Capão da Canoa, a uma hora e meia da capital sob um céu sem nuvens e o calor com os quais sonhei e não vi em uma semana de férias nos litorais costa-riquenho e panamenho. Me empolguei. Enfiei na mochila biquíni, boné, canga, óculos de sol, chinelo e dois protetores solares ainda lacrados.
Diante da minha animação, meus cicerones gaúchos, constrangidos, passaram a viagem tratando de baixar a bola do litoral rio-grandense. “A praia é horrível”. “Não é banho de mar, é banho de lodo”. “Você entra de branco e sai de preto”. O circo dos horrores incluía até uma tempestade de areia: “Não dá nem para ficar só tomando sol. O vento nordeste é insuportável”. Meu amigo Rodrigo, o irmão e a mãe praticamente pediam desculpas por levar uma moradora do Rio de Janeiro para Aquele lugar.
Eis que numa curva surge o mar de Capão. “Tá verde!”, gritaram, como quem comemora um gol. E não era só: as ondas estavam pequenas, com espuma branquinha e água na temperatura ideal. Ainda tinha uma brisa para aliviar o calor. Um grupo de nativas desconfiadas dava as costas para o mar e se bronzeava no gramado da praça perto da praia. É uma estratégia já habitual, adotada para driblar a tal ventania que, imaginavam, chegaria a qualquer momento.
Depois de uma semana de chuva no Caribe, e várias outras cinzentas no Rio, confesso: peguei a melhor praia dos últimos cinco meses em Capão da Canoa. Colegas gaúchos que vivem aqui duvidam dessa história. Mas eu juro que é verdade!
terça-feira, 18 de março de 2008
Caras e cores da Argentina
Em La Cumbre, Córdoba, me esbaldei na festa de casamento de um casal binacional, o peruano Renzo e a argentina María. Para provar que o afeto não tem fronteiras, além do Brasil, Chile, Peru, Espanha e Itália mandaram representantes.
Na Quebrada de Humauaca, no Norte, me surpreendi com a abrupta mudança de montanhas verdejantes para morros áridos com cáctus em profusão. E, em Purmamarca, um arco-íris em forma de rocha, o Cerro de los Siete Colores, alegrou meu dia. Lá também fui apresentada à porção andina do país, com habitantes de pele morena, cabelos negros e traços culturais muito semelhantes aos que vi no Peru.
Por ali também, a quase 4 mil metros de altitude, me perdi no branco das salinas imensas, onde as nuvens pareciam ao alcance das mãos. A sede de fotos era insaciável: eu, toda de preto, contrastava com a brancura daquela lâmina salgada cercada de montanhas. O intenso reflexo da luz do sol praticamente me cegava, mas não me vencia. Mesmo sem identificar direito o que a telinha de minha câmera digital enquadrava, não lhe dava sossego.
E ainda teve a colonial Salta, La Linda, que merece o apelido; a acolhedora Jujuy; as reconstruídas ruínas de La Pucará, em Tilcara; o ônibus antigo e cheio de passageiros com o qual cruzei um rio como se estivesse em uma picape 4x4, a caminho de Iruya; as deliciosas quinoa e carne de lhama de Humauaca.
Mas o melhor da Argentina foram os argentinos.
Inteligente, carinhosa, e ávida por aprender português, a estrela da viagem foi a pequena grande Anaclara, 7 anos de muita perspicácia e curiosidade. Filha dos meus anfitriões, os simpáticos e para lá de gente boa Moncho e Alejandra, moradores de Jujuy. Já em Buenos Aires, aprendi com Néstor, de La Plata, que Herbert Vianna se inspirou em um livro de Jorge Amado para compor Lanterna dos Afogados. Em português perfeito, me contou de seu interesse pela cultura brasileira, que alimenta com programas de televisão verde-amarelos postados na Internet em... Angola! Sua namorada, Rita, me presenteou com a máscara de Kulan, o espírito sedutor feminino dos aborígenes da Terra do Fogo, a quem tenho que honrar.
Os novos amigos foram presente da minha querida hermana Marcela, com quem sempre tenho algo a aprender. Ela, Caro e Esteban compõem minha família argentina.
Pelas cores das montanhas, pelo branco das salinas, pelas antigas e novas amizades grito como o ator de Caballos Salvajes:
LA PUTA QUE VALE LA PENA ESTAR VIVA!


